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Depoimentos

“Para ser sincero, não cheguei ao curso com grandes expectativas. Acreditava que escrevia bem e, portanto, um curso de redação não seria necessário. Ledo engano. Após as primeiras redações, a quantidade de vermelho que recebia na folha, bem como meu primeiro texto que tive que refazer me mostraram que, na verdade, eu ainda estava longe do que eu esperava. Passado algum tempo, como meus erros iam diminuindo, fui percebendo que gostava de tudo isso, ou seja, de procurar, ficar informado e, principalmente, debater sobre determinado assunto. Em suma, curso é, de certa forma, econômico, afinal, não foi apenas redação que aprendi no tempo em que o faço.”
GUILHERME AZEVEDO
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Dicas

Estrutura da CARTA

 

 

 

          Dentre os gêneros textuais, a carta faz parte do “epistolar”.  Nesse tipo textual, deve-se observar o, o interlocutor para que a linguagem seja adequada. Se o texto é destinado a uma revista cujo público alvo é de adolescentes, a escrita pode ser mais solta, ou seja, coloquial. Em se tratando, de uma revista política ou científica, as marcas textuais devem ser formais.

MODALIDADES:

CARTA ABERTA

          Seu lugar de divulgação é a imprensa; no entanto, eventualmente pode ser distribuída em outras situações como em uma conferência, encontro, nas ruas, dependendo muito de quem a assina e em qual contexto foi produzida.

          Vejamos um exemplo de CARTA ABERTA. Ela foi produzida na oportunidade em que houve o Encontro Xingu Vivo Para Sempre, que reuniu em Altamira, no sudoeste do Pará, mais de mil pessoas, entre indígenas, ribeirinhos, extrativistas, ambientalistas e movimentos sociais em defesa do Rio Xingu, local onde está prevista a construção da hidrelétrica de Belo Monte.

CARTA XINGU VIVO PARA SEMPRE

Nós, representantes das populações indígenas, ribeirinhas, extrativistas, dos agricultores e agricultoras familiares, dos moradores e moradoras da cidade, dos movimentos sociais e das organizações não-governamentais da Bacia do rio Xingu, nos reunimos no encontro Xingu Vivo para Sempre, realizado na cidade de Altamira (PA), entre os dias 19 e 23 de maio de 2008, para discutir, avaliar e denunciar as ameaças ao rio que nos pertence e ao qual pertencemos nós e reafirmar o modelo de desenvolvimento que queremos.

Nós, que somos os ancestrais habitantes da Bacia do Xingu, que navegamos seu curso e seus afluentes para nos encontrarmos; que tiramos dele os peixes que nos alimentam; que dependemos da pureza de suas águas para beber sem temer doenças; que dependemos do regime de cheias e secas para praticar nossa agricultura, colher os produtos da floresta e que reverenciamos e celebramos sua beleza e generosidade a cada dia que nasce; nós temos nossa cultura, nossa espiritualidade e nossa sobrevivência profundamente enraizadas e dependentes de sua existência.

Nós, que mantivemos protegidas as florestas e seus recursos naturais em nossos territórios, em meio à destruição que tem sangrado a Amazônia, nos sentimos afrontados em nossa dignidade e desrespeitados em nossos direitos fundamentais com a projeção, por parte do Estado Brasileiro e de grupos privados, da construção de barragens no Xingu e em seus afluentes, a exemplo da hidrelétrica de Belo Monte. Em nenhum momento nos perguntaram o que queríamos para o nosso futuro. Em nenhum momento nos ouviram sobre a construção de hidrelétricas. Nem mesmo os povos indígenas, que têm esse direito garantido em lei, foram consultados. Mesmo assim, Belo Monte vem sendo apresentada pelo governo como fato consumado, embora sua viabilidade seja questionada.

Estamos cientes de que interromper o Xingu em sua Volta Grande causará enchentes permanentes acima da usina, deslocando milhares de famílias ribeirinhas e moradores e moradoras da cidade de Altamira, afetando a agricultura, o extrativismo e a biodiversidade, e encobrindo nossas praias. Por outro lado, o barramento praticamente secará mais de 100 quilômetros de rio, o que impossibilitará a navegação, a pesca e o uso da água por muitas comunidades, incluindo aí várias terras e comunidades indígenas.

Assim, nós, cidadãos e cidadãs brasileiras, vimos a público comunicar à sociedade e às autoridades públicas federais, estaduais e municipais a nossa decisão de fazer valer o nosso direito e o de nossos filhos e netos a viver com dignidade, manter nossos lares e territórios, nossas culturas e formas de vida, honrando também nossos antepassados, que nos entregaram um ambiente equilibrado. Não admitiremos a construção de barragens no Xingu e seus afluentes, grandes ou pequenas, e continuaremos lutando contra o enraizamento de um modelo de desenvolvimento socialmente injusto e ambientalmente degradante, hoje representado pelo avanço da grilagem de terras públicas, pela instalação de madeireiras ilegais, pelo garimpo clandestino que mata nossos rios, pela ampliação das monoculturas e da pecuária extensiva que desmatam nossas florestas.

Nós, que conhecemos o rio em seus meandros, vimos apresentar à sociedade brasileira e exigir das autoridades públicas a implementação de nosso projeto de desenvolvimento para a região, que inclui:

  • A criação de um fórum de articulação dos povos da bacia que permita uma conversa permanente sobre o futuro do rio e que possa caminhar para a criação de um Comitê de Gestão de Bacia do Xingu;
  • A consolidação e proteção efetiva das Unidades de Conservação e Terras Indígenas bem como o ordenamento fundiário de todas as terras públicas da região da Bacia do Xingu.
  • A imediata criação da Reserva Extrativista do Médio Xingu.
  • A imediata demarcação da TI Cachoeira Seca, com o assentamento digno dos ocupantes não indígenas, bem como a retiradas dos invasores da TI Parakanã.
  • A implementação de medidas que efetivamente acabem com o desmatamento, com a retirada de madeira ilegal e com a grilagem de terras.

Nós, os que zelamos pelo nosso rio Xingu, não aceitamos a invisibilidade que nos querem impor e o tratamento desdenhoso que o poder público tem nos dispensado. Nós nos apresentamos ao País com a dignidade que temos, com o conhecimento que herdamos, com os ensinamentos que podemos transmitir e o respeito que exigimos.

Esse é o nosso desejo, essa é a nossa luta. Queremos o Xingu vivo para sempre.

 

CARTA PESSOAL

A carta pessoal é dirigida a amigo, parentes, pessoas próximas, enfim. Tem o objetivo de narrar algum fato, fazer relato, descrever situação e de argumentar em torno de algum tema ou situação. Apresenta a seguinte estrutura:

 

    Local e data;

    Saudação (vocativo);

    Desenvolvimento;

    Despedida;

    Assinatura.

 

 

 

 

 

 

Abaixo, segue carta que Fernando Sabino enviou à Clarice Lispector e sua consequente resposta:

 

New York, 17 de setembro de 1946.

 

Clarice,

           Quase que meu silêncio desta vez em relação a você vira de novo caso de consciência, como naquela ocasião em que saímos do Brasil. Graças a Deus uma operação na garganta a que me submeti há poucos dias (ainda estou de repouso em casa, saí do hospital anteontem) pode com um pouquinho de boa vontade responsabilizar-se. Mas a verdade é que atravessei um período mais ou menos intenso de “bom jeito” e precisava terminar a todo custo um capítulo enorme. Eu estava macio que só vendo, a coisa foi de uma felicidade tão grande para mim (embora o trabalho, o medo, o cansaço, as dificuldades) que terminei como se estivesse escrito um romance inteiro. Agora estou vazio, seco, estéril, inerme, oco, esgotado e mais toda essa desvitalizada coleção de adjetivos.

           Recebi, porém suas duas cartas, a pequena mensagem amiga, fogo rasteiro que realmente nos incendiou em saudade de você, envolvendo até mesmo a Elianinha que fez o impossível para picar a carta em pedacinhos sem conseguir – e a sua outra carta com o conto, de que gostei muito.

           Fiquei encabulado quando dei com aquela página de minha carta copiada por você, tive a impressão de que o que eu dizia sobre os movimentos simulados era também um movimento simulado. Em todo caso me será útil, e muito obrigado pelo trabalho…

           Toda carta que eu escrevo a você acaba sempre perigando de não ir… É que eu vou escrevendo, escrevendo, escrevendo, e cada vez mais ficando asnático. Depois é o tamanho que me assusta. Recebi uma carta muito boa do Otto e outra do Hélio, como já disse, fiquei muito feliz. Receber cartas é muito bom. Clarice, me responda logo…

           Até logo, exijo resposta imediata, mesmo que não tenha feito nenhuma pergunta. Aqui vai mais uma: quantas páginas já tem seu livro? A dois espaço ou um espaço? Conte detalhes. Acho que estou fumando demais, segundo o médico dois cigarros por dia será muito para essas famosas amígdalas… Deus nos abençoe, Clarice, neste penúltimo século de civilização.

Um forte e saudoso abraço para você, deste decadente

 

Fernando

           Em resposta a Fernando Sabino, Clarice envia a seguinte carta:

 Berna, 13 de outubro 1946

 Fernando,

          que bom receber carta sua. Eu não sabia que você tinha amígdala… Minha amizade por você teve presença por tão pouco tempo. Acho que deveríamos apagar tudo e principiar pelo princípio. Começo um pouco timidamente dizendo que fiz operação de apendicite. Quem sabe a sinusite não era amígdala?

Seu sonho, Fernando, nem quero psicanalizá-lo, e nem lamento que tenhamos esquecido o nome da fera, se bem que por dentro eu me diga decepcionada: pronto nunca mais.

… Meu sonho não foi terrível como o seu mas também me deu uma angústia de símbolo. Sonhei que estava num lugar de cores apagadas, tudo meio dormente, e que eu ia subir uma escadaria imensa, alta, alta. Eu me aproximava para subir e com horror via que a escadaria era apenas pintada - nem pintada, desenhada a lápis com perspectivas certas em claro e escuro, parece que em cima do papel móve porque havia vento e que dificuldade sentia: era uma iamgem de escada e não escada e eu pisava em degraus desenhados e sem profundidade… Acho que a explicação é de que me falta “realidade”…

          Às vezes estou num estado de graça tão suave que não quero quebrá-la para exprimi-las, nem poderia. Esse estado de graça é apenas uma alegria que não devo a ninguém, nem a mim, uma coisa que sucede como se me movessem mostrado a outra face. Se eu pudesse olhar mais tempo esssa face e se pudesse descrevê-la, você veria como é o nome da fera que você esqueceu no sonho. Talvez seja orgulho querer escrever, você às vezes não sente que é? A gente deveria se contentar em ver, às vezes.

          Felizmente tantas outras vezes não é orgulho, é desejo humilde… parece que não há sequer invenção. É tão engraçado... O verdadeiro título dessa grande tragédia em um ato seria para mim “divertimento”, no sentido mais velhinho da palavra… Desejo que você não esmoreça, porque é tão bom estar de “bom jeito”. Acho que deveria abandonar minha “tragédia” em um ato…

          Demorei tanto a responder… Por que é que você hesita em cada carta, sobre se deve ou não mandá-la? Acha que sou tão seca que corto o movimento das pessoas. E só quem é assim pode compreender como é ruim ser assim. Estou aqui em pleno outono, e apesar de ser outono, apenas por ser “pleno”, tem o mesmo fulgor de primavera plena, de inverno pleno - a impressão que dá é que alguma coisa está madura. Talvez sejam as maçãs que são redondas e vermelhas. E depois dessa extrema poesia, peço porque estou com frio, uma esmolinha pelo amor de Deus. E para rimar digo adeus, que é rima pobre e nua, mas ai de nós, absoluta. Recebam um abraço de saudade. Clarice

 

Carta do Leitor

          Trata-se de um comentário a qualquer tipo de material divulgado por uma revista, jornal ou outros meio de comunicação. Nela, o produtor expõe seu ponto de vista de modo a acrescentar algum dado ou a refutar os argumentos veiculados. Veja um exemplo de CARTA D O LEITOR, extraído da Revista Caros Amigos, edição 130, de janeiro:

       Como assinante me vejo na obrigação de comentar o artigo do Gilberto (edição novembro de 2007). Sou profissional da área de segurança pública há quinze anos e sei dos malefícios que as drogas causam. Dizer que legalizar as drogas seria um fator de redução criminal é um absurdo. Na minha opinião, isso é coisa de viciado que deseja saborear seu cigarrinho em praça pública, coisa de Amsterdã. Fumo, remédios controlados, etc são drogas: concordo. Mas, caro Gilberto, não há registros de ninguém comprando um cigarro para encorajar-se a cometer um roubo ou um seqüestro. Por outro lado, é freqüente que usuários de maconha pratiquem diversos crimes quando sob efeito da droga. Seria mais ou menos assim: o usuário vai à padaria, compra um cigarro de maconha, se excita e furta a própria padaria. Por favor! Colocaríamos alertas nos maços de canabis  coisa do tipo: "proibido para menores" ou alertas visuais com cenas de crimes praticados por viciados, por exemplo, um estupro. Por favor! Formadores de opinião como o respeitado Gilberto não deveriam se propor a colocar em pauta algo tão indecente. Isso em nada contribuiria para uma sociedade melhor, por outro lado, se você em seus artigos, inteligentes, comentasse o alto preço da cultura em nosso país, creio que seria útil para todos. Finalmente, um deputado "Erveira", ou melhor Gabeira, já basta. (Tenente PM Neto, netosjc1969@yahoo.com.br)

 

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