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Comentários à Redação do Enem 2014

COMENTÁRIOS À PROVA DE REDAÇÃO DO ENEM 2014

Como todos os anos, venho tecer alguns comentários sobre a redação do Enem. O intuito é fazer com que os alunos entendam o que se esperava do texto dos candidatos e quais teses poderiam ser defendidas. Além disso, apontar argumentos e propostas de intervenção possíveis. Para tanto, dividi o texto em partes já que desejo oferecer uma explicação didática.

SOBRE A PROPOSTA DE REDAÇÃO

Cabe destacar que, diferentemente de outras edições do Enem, a proposta de redação não trazia um recorte temático, mas fazia uma abordagem direta: PUBLICIDADE INFANTIL EM QUESTÃO NO BRASIL. Chama-se de recorte temático a parte que vem após os dois pontos em temas como: “Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?” e “Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional?”. Nesses casos, o postulante deveria tratar do tema e dar uma guinada para o recorte, estabelecendo ali a sua tese.

No caso da redação ENEM 2014, o tema foi dado sem recortes e trazia consigo três textos motivadores. O primeiro tratava da aprovação da resolução 163 do Conanda (Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente), na qual se especifica o que é considerado abusivo. Vejamos o artigo 2º:

Art. 2º Considera-se abusiva, em razão da política nacional de atendimento da criança e do adolescente, a prática do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança, com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço e utilizando-se, dentre outros, dos seguintes aspectos:

I - linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores;

II - trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança;

III - representação de criança;

IV - pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil;

V - personagens ou apresentadores infantis;

VI - desenho animado ou de animação;

VII - bonecos ou similares;

VIII - promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e

IX - promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

 

Além disso, o texto I trazia duas problematizações: 1) ainda não há mecanismos claros para a aplicação de tal resolução; 2) a autorregulamentação pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) já seria suficiente para controlar e evitar abusos.

 

O texto II consistia em um gráfico no qual se informa sobre países que proíbem total ou parcialmente a publicidade, bem como os países em que há autorregulamentação e os que praticam um estado de alerta. Isto para que o produtor do texto tivesse uma maior noção da abrangência do tema. Saliente-se que, quanto ao Brasil, há um equívoco em dizer que ocorre apenas a autorregulamentação, pois o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código de Defesa do Consumidor impõem pena de detenção ou multa a quem difundir publicidade que for julgada como abusiva. Em outros termos, está em vigência no Brasil um sistema misto que combina legislação com autorregulamentação. Evidente que isto não incapacita o participante do Enem de desenvolver uma boa tese com argumentos pertinentes sobre o assunto.

 

Enfim, o texto III traduzia uma opinião crítica em que Luciene Ricciotti Vasconcelos, no livro A criança e o marketing, clama pela educação que leve ao consumo consciente e que faça as crianças serem adultos mais responsáveis consigo mesmos e com o mundo.

 

Dadas essas informações, ao participante era solicitada uma dissertação argumentativa com base nos textos de apoio, bem como nos “conhecimentos construídos ao longo de sua formação”.

 

SOBRE A PERTINÊNCIA DO TEMA

 

Após essa contextualização, passo a analisar o tema sob dois ângulos: o menos importante, que se trata da pertinência do tema; e o mais relevante, que são as teses que poderiam ser defendidas.

 

Não é incomum a existência de sites “especializados” que façam listas de temas possíveis para o Enem. Entretanto, cabe um alerta: há quem chame de “temas possíveis” aquilo que será cobrado nas provas de Ciências Humanas (conflito no Oriente Médio, crise hídrica, cotas, eleições, manifestações) ou na prova de Linguagens (selfies, violência contra crianças, mídia), no que muitos confundem como sendo temáticas para a prova de Redação. Afastada tal confusão, há os que listavam temas para a prova escrita como:

 

1- Consumo de álcool por adolescentes;

2- Analfabetismo funcional no Brasil;

3- Bullying nas escolas;

4- Consciência ambiental;

5- Desigualdade entre homens e mulheres no Brasil;

6- O destino do lixo no Brasil;

7- Os limites do Humor;

8- Manifestações populares;

9- Os efeitos da Lei Maria da Penha;

10- O caos da mobilidade urbana;

11- Os desafios da saúde pública brasileira;

12- Variedade Linguística: o modo de falar do brasileiro;

13- Grandes eventos esportivos no Brasil;

14- Consumismo e ostentação;

15- Liberação da Maconha;

16- Os abusos nos trotes universitários;

17- DSTs entre adolescentes;

18- Redução da maioridade penal;

19- Água e sustentabilidade;

20- Respeito aos benefícios oferecidos aos idosos e deficientes físicos;

(Fonte: http://www.infoenem.com.br/20-possiveis-temas-da-redacao-do-enem-2014/)

 

Vale lembrar que todos esses são temas pertinentes e que estiveram em debate com maior ou menor relevância na mídia. Frustradas tais expectativas, vale salientar que o tema selecionado pelo MEC não é descabido. Ao contrário: em um ano de muitos debates sobre os limites da liberdade de expressão, do papel da mídia frente ao público, a PUBLICIDADE INFANTIL aglomera abordagens muito interessantes como o CONSUMISMO, o PAPEL DA FAMÍLIA frente ao estabelecimento do culto às marcas e aos personagens; o PAPEL DO ESTADO (por intermédio do Ministério Público, órgãos de proteção à criança e ao consumidor), bem como a intenção do MERCADO que deseja vender a qualquer custo, sem que, muitas vezes, conserve-se a ética e até mesmo o bom gosto na abordagem.

 

Continuando no mesmo raciocínio, não foram poucas as oportunidades em que tal tema esteve em questão:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/10/1530508-maternar-as-vesperas-do-dia-das-criancas-campanha-denuncia-empresas-que-fazem-publicidade-infantil.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/2014/07/1480186-leitor-discorda-de-colunista-e-defende-veto-a-publicidade-infantil.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2014/07/1479585-propaganda-infantil.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/06/1477788-publicidade-dirigida-a-criancas-deve-ser-proibida-nao.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/06/1477790-publicidade-dirigida-a-criancas-deve-ser-proibida-sim.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/06/1463214-veto-a-publicidade-infantil-gera-crise.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/05/1460062-maternar-mec-nao-recomenda-shows-com-publicidade-nas-escolas.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2014/05/1452674-ministerio-da-justica-estuda-proposta-de-vetar-publicidade-para-menores.shtml

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/proibicao-de-publicidade-infantil-atinge-liberdade-de-expressao

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/publicidade-infantil-pode-ser-proibida-no-brasil

http://veja.abril.com.br/blog/politica/governo-dilma-rousseff/ministerio-da-justica-multa-sbt-por-publicidade-infantil/

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140422_conanda_resolucao_pai_mdb

 

A lista acima pode ser aumentada, evidentemente, mas algo deve ficar claro: não se trata de um tema impertinente. Bastava que orientadores e candidatos estivessem antenados, diuturnamente, nas notícias para poderem perceber que o tema esteve em debate e influencia na forma com que a coletividade olha para o mercado de consumo, em especial o das crianças.

 

 

SOBRE A TESE

Outro aspecto diz respeito às teses que poderiam ser trabalhadas. Nesse sentido, vale destacar que o texto III da coletânea “dita” uma opinião pré-estabelecida: não se deve proibir a propaganda, afinal “Precisamos preparar a criança, desde pequena, para receber as informações do mundo exterior a fim de que possa compreender o que está por trás da divulgação de produtos”. Isso significa que o candidato que defendesse a proibição estaria contrariando o texto de apoio. Isso não é de todo ruim, pois, na verdade, o GUIA DO PARTICIPANTE não obriga o candidato a concordar com o que se propõe nos textos motivadores, mas é evidente que gera, ao produtor, um trabalho muito maior ao argumentar.

Outra tese seria a da não proibição, em que o estudante teria a chance de defender que a publicidade deve existir, mas:

a)  com limites ditados pela ética e moral;

b)  os limites serão dados pelos responsáveis das crianças;

c)  controlada pelas determinações da resolução 163 do Conanda, em relação à qual deveriam ser criados mecanismos para a fiscalização, apreensão e punição de quem descumprir as regras, cuja multa ou detenção já está prevista no Código de Defesa do Consumidor;

d)  controlada não só pela família e pelos Conselhos, bem como pelos órgãos Estatais como Delegacia do Consumidor, os Conselhos Tutelares, o Ministério Público.

 

Mais uma tese possível seria a da total liberação, pois a censura não deveria existir e quem julgaria a peça seriam os próprios consumidores.

 

SOBRE A ARGUMENTAÇÃO

A fim de defender essas teses, o aluno precisaria lançar mão de argumentos, não se esquecendo de dois fatores: deve haver uma problematização com as respectivas propostas de intervenção, as quais visariam solucionar ou apontar caminhos para a solução do problema.

 

CASO 1

Tese:

Deve haver a proibição da publicidade infantil.

Argumentos:

1 – Não há criticidade da parte dos pais, os mais consumistas, e que ensinam os filhos a agirem assim. Então, não há que se clamar pela interferência positiva deles e nem mesmo dos educadores, os quais também estão inseridos no mercado consumidor.

2 – As regulamentações de nada servem, já que não há mecanismos de controle. Quando há uma multa ou qualquer outra punição por parte do Conanda, as peças já foram ao público, sendo que – geralmente – a venda já foi realizada, visto que o comércio é mais ágil e os consumidores mais velozes que a própria fiscalização.

Proposta de intervenção

Todas as propagandas para público infantil devem ter uma espécie de selo, em que fique expressa a permissão da veiculação. Assim, todas as propagandas seriam monitoradas pelos Conselhos e enquadradas nas regras. Os estabelecimentos, antes de colocar os produtos em suas prateleiras, devem se certificar de que há tal autorização. Caso não consigam demostrar esse tipo de “alvará”, podem ser punidos junto ao fornecedor. Dessa forma, criando-se os mecanismos, haveria maior proteção.

CASO 2

Tese

Devem ser criados os mecanismos para a fiscalização, apreensão e punição de quem descumprir as regras da resolução 163 do Conanda.

 

Argumentos

1 – No dia 03 de novembro, a Globo News exibiu um programa muito interessante em que abordava um fato mais do que sabido: antes de um produto chegar às prateleiras, os personagens chegam às telas da televisão. Assim, enquanto pais e crianças iludem-se, pensando que estão se divertindo, na verdade estão sendo bombardeados por uma marca. É assim que consumimos a roupa da Barbie; compramos a cara mochila da Peppa Pig; adquirimos o caderno dos personagens Disney; temos, na cama, os lençóis das Princesas; no pulso o relógio do Ben10. Se repararmos bem, veremos que tais personagens são quase familiares, ou seja, são tratados praticamente como um membro da família.

2 – Nesse sentido, vêm outras estratégias: na propaganda, usam-se músicas dos filmes, dos desenhos e dos seriados. Assim, aquilo que deveria ser objeto CULTURAL, acaba se massificando como objeto de mero CONSUMO. Essa deturpação não se estende apenas no campo das compras, mas também no das viagens, ou seja, não é à toa que os brasileiros – alienados pelos personagens da Disney – sejam os maiores visitantes do parque temático.

3 – Há vários problemas em tudo isso:

. A massificação se dá a personagens patenteados que são estrangeiros, o que impede que o produto nacional avance;

. O desejo de consumo não se restringe a quem tem o poder aquisitivo, mas também aos mais pobres, para quem torna-se um sacrifício adquirir os sedutores produtos;

. A cultura passa por um processo de deturpação em que é consumida e não mais apreciada.

Proposta de intervenção

 

Deve haver uma campanha mais forte de desoneração fiscal a empresas nacionais a fim de facilitar a divulgação e venda de produtos nacionais. Além do mais, aumentar a carga tributária dos produtos estrangeiros e também maior fiscalização para que os produtos que chegam “via Paraguai” encontrem barreiras maiores para a entrada no país. Isso pode ser feito com a cooperação da polícia de fronteira e com a fiscalização das Delegacias do Consumidor.

 

CASO 3

 

Tese:

As propagandas não precisam ser controladas pela resolução, pois, hoje, existe uma conscientização do que é abusivo e já existem leis protetivas contra o abuso em certas publicidades. A população tem um senso crítico maior do que a das décadas passadas em que nudez infantil (https://www.youtube.com/watch?v=izJkQ7O5QLc), a sensualidade da menina moça (https://catracalivre.com.br/geral/design-urbanidade/indicacao/11-propagandas-infantis-que-nao-apareceriam-na-tv-nos-dias-de-hoje/) e a linguagem adulta aplicada ao contexto infantil (https://catracalivre.com.br/geral/design-urbanidade/indicacao/11-propagandas-infantis-que-nao-apareceriam-na-tv-nos-dias-de-hoje/)  eram exploradas.

 

Argumento:

1) Há uma tendência atual de proteção à criança, tanto que as propagandas vão continuar a existir, só que dirigidas, preferencialmente, ao público adulto e não mais à criança. Tal proposta é compartilhada pelo instituto Alana e pela Rede Criança, as quais defendiam propagandas mais conscientes quanto à adequação das publicidades. Projetada para o Dia das Crianças, certamente se estenderá para o Natal. 

2) A publicidade é pautada no status que o consumo daquele brinquedo pode gerar. Ao contrário disto, os anúncios devem mostrar aos adultos a vantagem nutricional do alimento (e não que a criança mostre ser amiguinha do palhacinho “tal” quando come a bolacha recheada); demonstre selos de qualidade na roupa que vende e que respeita os direitos trabalhistas de quem a fabrica; use uma dinâmica de apresentação e linguagem que atinja o adulto e não a criança.

3) Valia lembrar que muitas escolas não permitem a entrada de brinquedos, pois as crianças que não têm, sentem-se excluídas em um ambiente que deve ser da inclusão e da partilha.

4) Cabia mencionar o caso da Revista Vogue (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/09/1515529-justica-manda-editora-recolher-revista-por-publicar-fotos-sensuais-de-meninas.shtml), que foi recolhida por explorar a sensualidade das modelos mirins.

 

Proposta de intervenção:

A propaganda deve ser dirigida ao adulto: “Agora o seu filho pode ter em mãos este brinquedo, o qual vai estimular o lúdico, a criatividade e despertar sua consciência ecológica”. Tal postura, inclusive, pode melhorar o nível do que é vendido e não apenas apelar para a ostentação e posse de um objeto como em “Eu tenho! Você não tem!” com o complemento “Chegaram as tesourinhas... só você ainda não tem (em tom de deboche)” como se pode observar em https://catracalivre.com.br/geral/design-urbanidade/indicacao/11-propagandas-infantis-que-nao-apareceriam-na-tv-nos-dias-de-hoje/.

No detalhamento da proposta, o candidato poderia defender a não utilização de diminutivos na linguagem da propaganda, bem como a exibição do produto em si e não o foco na “alegria” da criança que ganha o presente ou na aceitação pelo grupo daqueles que usam determinada marca. O ideal é que se proibissem frases como “Se sua família gosta de você, compra... para você”. Essas estratégias, enfim, devem ser proibidas.

 

CASO 4

 

Tese:

A publicidade deve ser regulada pelos Conselhos e órgãos estatais, mas a responsabilidade é da família em educar nas finanças.

 

Argumento:

 

1) Até uma determinada idade, os pais devem escolher o que deve ser comprado para os filhos e, até mesmo, dado de presente... Sabe-se que brinquedos barulhentos, eletrônicos e com personagens são prejudiciais, já que, respectivamente, prejudicam a audição, não desempenham papel construtivo na cognição da criança e, por fim, levam apenas à massificação de produtos estrangeiros (preferencialmente made in Disney Corporation). Uma citação interessante é a de Pitágoras: “Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos”, no sentido de mostrar o papel dos pais nesse contexto. Outra é a de Paulo Leminski: “Nesta vida, pode-se aprender três coisas de uma criança:/estar sempre alegre,/nunca ficar inativo/e chorar com força por tudo o que se quer”, sendo que tal querer deve estar pautado no desejo do que lhe é ensinado como saudável, produtivo, construtivo para o futuro e não o que lhe foi incutido pela indústria de massa, a qual visa o imediato consumo de produtos muitas vezes descartáveis.

2) Após a idade em que os pais julgarem adequado, a própria criança deve aprender a lidar com o dinheiro que receber de mesada, se isso for possível à família. Assim, ela aprenderá a poupar e saberá escolher entre a mochila que custa R$ 70,00 por ser apenas rosa ou a que custa R$ 700,00 por ter o desenho das Princesas. Pode parecer radical, mas muitas famílias usam este argumento para a criança não se tornar um déspota que faz chantagens e dá verdadeiros escândalos em público quando contrariadas.

Proposta de intervenção:

 

O candidato poderia defender que haja mais iniciativas como a Feira de Trocas e Doação de Brinquedos em Belo Horizonte em que uma criança entra com um brinquedo e sai com outro, assim o que importa é a brincadeira e não o brinquedo em si, não o personagem que ele estampa. Dentro desta lógica, o infante não se apega ao que é mais caro ou mais barato, mas àquilo que lhe dá mais prazer. Isso amenizaria o impacto da publicidade.

Ensinar a lidar com o próprio dinheiro, logo cedo, auxilia a criança a ter hábitos de uso consciente dos brinquedos e não em acumulá-los como certas mães o fazem com sapatos e alguns pais com camisas e gravatas.

 

Encerro as exemplificações por aqui, pois, na verdade, haveria inúmeras boas argumentações. Além disso, tudo dependerá da forma com que tais ideias serão arranjadas.

 

Entretanto, é cabível, também, mencionar o que consistiria fuga ao tema: tratar apenas de consumo, sem enfocar na publicidade direcionada à criança; argumentar apenas quanto à liberdade de expressão, ou seja, se deve ou não haver regulação de mensagens na mídia; falar sobre violência contra crianças; e, pasmem, recebi email de alguém perguntando se era para falar sobre tráfico de crianças no mundo... Tais abordagens não são pertinentes e, com certeza, levarão o candidato a uma nota zero.

 

Evidentemente, não poderei me esquivar de mencionar que trabalhamos o tema no Curso de Redação Suzana Luz®, na aula número 08 (http://www.suzanaluz.com.br/arqs/post/139_0.pdf). Não só esse, mas também COMO AS CRIANÇAS DEVEM LIDAR COM O DINHEIRO e OS LIMITES DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO BRASIL. Isso não significa que quem não trabalhou com tais temas irá se sair mal. Significa que os alunos que passaram pela orientação de seus professores, com certeza se sentiram mais seguros e foram mais eficazes na elaboração do texto, o que, no Enem, é algo muito importante.

 

Em meu texto no Enem/2015, encerrei minha proposta de intervenção dizendo que a criança deve reaprender o gosto de brincar com uma bola para a pelada, com uma flauta e com os livros, quanto aos quais não há publicidade... já notaram? Aos estudantes, encerro dizendo que resta esperar pelo resultado e, enquanto isso, já começar a estudar. Lembrem-se de que não há “férias” para quem tem um objetivo em mente. Qual é o seu?

(Suzana Germosgeschi Luz é professora de Redação, formada em Letras e Direito pela UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso – www.suzanaluz.com.br)

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